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O passado longínquo de Lapas está largamente documentado por instrumentos e objectos que vão do neolítico ao bronze, descobertos nas grutas quando ali se efectuaram as escavações, e, também, quando da abertura de caboucos para a construção de um prédio, na margem esquerda do Rio Almonda, junto à Fábrica do Álcool.

Esse material, que se conserva nos museus do Carmo em Lisboa e Carlos Reis em Torres Novas, foi estudado por especialistas distintos, como os Drs. Fernando de Almeida e º da Veiga Ferreira, o qual se pode situar, cronologicamente, por volta do ano 2000 AC.

Atendendo à sua natureza e situação e aos numerosos achados de instrumentos e objectos das épocas da pedra polida e dos metais em toda a bacia do Almonda, é de crer que a sua primeira fortaleza tivesse consistido num outro castro neolítico. Aí se teriam fixado os celtas e mais tarde os alanos e também os mouros, dos quais persistem ainda algumas lendas.

Comecemos pela lenda que se refere à imagem de Nossa Senhora da Vitória, encontrada num dos recantos das grutas, levada para a capela e que mais tarde apareceria novamente nas grutas.

A lenda do quarto da moura, existente nas grutas.

E ainda a lenda de que as grutas se comunicavam com o castelo de Torres Novas.

Estas são algumas das principais lendas que ainda nos nossos dias e na imaginação popular dos lapenses irá perdurar.

Mas, o que é prova irrefutável, é ter existido em Lapas, no reinado de D. Afonso II, uma confraria de caridade, com estatutos redigidos em 1212, que tinha como objectivo o auxílio aos confrades, o acompanhamento na doença, a assistência aos enterros, a esmola aos pobres, a condenação das injúrias e agressões, a reconciliação dos desavindos e as refeições em comum.

Concluindo e  no que diz respeito a documentação existente na Torre do Tombo, é que a povoação de Lapas,  data, em documentos oficiais, pelo menos, desde 1212.

 

GRUTAS

 

Da origem das grutas, pouco se sabe ou nada a nível histórico.

Uns, atribuem aos cristãos a feitura das mesmas, para se refugiarem dos mouros.

Outros, são da opinião de que se tratava de antigas minas, mas a verdade é que minério ali nunca foi encontrado; ainda outros, consideram que dali houve extracção de pedra para a construção do castelo de Torres Novas, facto completamente fora de questão, pois as grutas são de tufo granuloso, de nada se comparando com pedra.

A verdade é que estão ali grutas feitas pela mão do homem, como se deixa ver vestígios de picareta, nas paredes e abóbadas das mesmas, e sem dúvida a sua grande antiguidade, pois que a imagem de Nossa Senhora da Vitória encontrada no nicho, deve ter sido escondida, pelo ano 411,sob o pontificado de Inocêncio I, segundo a determinação do Concílio realizado em Braga, em que se decidiu o soterramento de todas as imagens, para as subtrair à sanha dos bárbaros do norte.

 

IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA

 

Existem algumas referências de que a igreja de Nossa Senhora da Graça, tenha sido reedificada em 1550, por Marcos Lopez, onde antes existiria uma capela, com ligação subterrânea da capela-mór às grutas.

 

CAPELA DE NOSSA SENHORA DA CABEÇA

 

Ao norte do lugar das Lapas, na bifurcação da estrada municipal do Pedrógão com o antigo caminho que conduzia à Ribeira Ruiva, existia uma capela, mandada construir pelo padre António Coelho, denominada ermida da Senhora da Cabeça, que datava dos fins do século XVII, que foi residência da D. Celeste do “fermento”, hoje em ruínas.